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Definição de preços do menu: do custo total ao preço de venda

Como calcular o preço de venda a partir de um rácio de custo escolhido por si, incluindo o custo completo da embalagem. Exemplos ilustrativos em euros.

Por KitchenCost
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Publicado 2/08/2026
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Definir o preço de um item da carta é aritmética simples aplicada a um custo que tem de estar completo. A parte difícil quase nunca é a fórmula: é lembrar tudo o que sai do armazém sempre que um pedido é servido.

Todos os valores deste texto são exemplos ilustrativos. Não há aqui preços de mercado nem valores de referência: o rácio de custo é uma decisão sua e o cálculo limita-se a mostrar as consequências dessa decisão.

O custo dos ingredientes e da embalagem conduz a uma decisão consciente sobre o preço

Passo 1: feche o custo total antes de dividir

O custo total de um item tem duas partes.

Custo total = custo dos ingredientes + custo da embalagem

O custo dos ingredientes vem da ficha técnica, já com conversão de unidades e rendimento aplicados, conforme o guia da ficha técnica de receitas.

O custo da embalagem soma-se peça a peça, cada uma ao seu preço unitário:

ComponenteCompraPreço unitário
Caixa de cartão100 un. por 21,00 €0,210 €
Tampa100 un. por 9,00 €0,090 €
Saco de transporte250 un. por 17,50 €0,070 €
Talher de madeira500 un. por 22,50 €0,045 €
Guardanapo1 000 un. por 12,00 €0,012 €
Etiqueta e selo500 un. por 11,50 €0,023 €
Total por pedido0,450 €

Nem toda a embalagem entra em todos os pedidos. O saco e o talher, por exemplo, só se usam nos pedidos para levar. A forma correta de tratar isto é calcular um custo por canal: o mesmo prato servido à mesa e o mesmo prato embalado para levar são, do ponto de vista do custo, dois produtos diferentes. Na sala, o custo de embalagem é zero ou quase; para levar, entram os 0,450 € completos do quadro acima. Feito assim, cada canal fica com o custo que gera de facto.

A média entre canais só serve como estimativa, e com duas condições: praticar o mesmo preço nos dois canais e ter uma repartição de vendas estável. Se metade das vendas do prato for para levar e 0,070 + 0,045 = 0,115 € forem as peças exclusivas desse canal, a imputação média dessas peças fica em 0,058 € por unidade vendida. Assim que a repartição mudar, e basta uma campanha de entregas para a mudar, o número deixa de estar certo sem que nada no cálculo o assinale. Trate-o como aproximação temporária e refaça-o a cada período com a repartição real.

Trabalhe com três casas decimais até ao fim e arredonde apenas no preço final. Componentes de menos de um cêntimo desaparecem se os arredondar cedo, e são muitos.

Passo 2: escolha o rácio e aplique a fórmula

O rácio de custo é a fatia do preço de venda que aceita entregar ao custo total. Escolha-o em função do que a casa tem de pagar com o resto: pessoal, renda, energia, equipamento, taxas de meios de pagamento e o lucro que quer obter.

Preço de venda = custo total ÷ rácio de custo

Os dois lados da divisão têm de estar na mesma base de IVA. Em gestão, o habitual é trabalhar sem IVA: custo líquido do IVA dedutível e preço de venda líquido de IVA. O preço que sai da fórmula está nessa mesma base, pelo que ainda tem de lhe acrescentar o IVA liquidado para chegar ao valor que vai à carta. Comparar um custo sem imposto com um preço de carta com imposto faz o rácio parecer melhor do que é. As taxas aplicáveis à sua atividade não são indicadas aqui.

Exemplo ilustrativo, uma dose de massa fresca embalada para levar, com todos os valores sem IVA:

ElementoValor
Ingredientes2,74 €
Embalagem do canal para levar0,45 €
Custo total3,19 €
Rácio escolhido0,30
Preço calculado10,63 €

O mesmo custo com rácios diferentes:

Rácio escolhidoPreço calculadoMargem bruta por unidade
0,2512,76 €9,57 €
0,3010,63 €7,44 €
0,359,11 €5,92 €

Margem bruta por unidade = preço de venda - custo total

Repare que o rácio e a margem por unidade andam em sentidos opostos, mas o número de vendas pode andar noutro. Um preço mais baixo com margem menor pode render mais no total se fizer sair muito mais unidades. É por isso que o rácio se decide item a item e não uma vez para a carta inteira.

Passo 3: arredonde e verifique o resultado

O valor que sai da fórmula é o mínimo a praticar, não o preço final. Arredonde sempre para cima, nunca para baixo: descer de 10,63 € para 10,50 € está a decidir, sem o dizer, um rácio superior ao que escolheu.

Depois de fixar o preço, faça três verificações:

  • Recalcule o rácio efetivo com o preço arredondado, usando custo total ÷ preço praticado. É esse o número que vai comparar mais tarde, porque abrange o mesmo que o rácio que escolheu: ingredientes e embalagem.
  • Compare a margem bruta por unidade entre itens da mesma família. Se dois pratos com preço parecido deixam margens muito diferentes, o mais provável é haver uma diferença de dose ou de embalagem por resolver.
  • Confirme o comportamento ao longo do tempo. O preço calculado assenta em custos de uma data concreta; guarde essa data junto do item.

Reveja os preços quando um custo de compra mudar de forma significativa, quando alterar a dose ou a receita e quando trocar de formato de embalagem. Entre revisões, siga dois indicadores e não um: o rácio de custo total, que inclui a embalagem e é o que se compara com o rácio que escolheu, e a percentagem de custo de matéria-prima, só com ingredientes, que mostra se o que mexeu foi o género. Uma subida do cartão ou dos sacos não aparece no segundo indicador, mas nota-se logo no primeiro. Ambos estão explicados no guia da percentagem de custo de matéria-prima.

Perguntas frequentes

Como se obtém o preço de venda a partir de um rácio de custo?

Divide-se o custo total pelo rácio expresso em decimal. Com 3,20 € de custo total e um rácio escolhido de 0,30, o preço fica em 3,20 ÷ 0,30 = 10,67 € (exemplo ilustrativo). O rácio é uma decisão sua sobre quanto do preço quer que os ingredientes e a embalagem ocupem, e não um valor imposto de fora.

A embalagem entra no custo ou trata-se à parte?

Entra por completo no custo. Isso inclui caixa, tampa, saco, talheres, guardanapo, etiqueta e selo de fecho. Cada peça tem preço unitário próprio e algumas só se usam em parte dos pedidos. Deixar a embalagem de fora faz com que o preço calculado pareça correto e a margem real fique abaixo do previsto em cada venda para fora.

E se o preço calculado for demasiado alto para o que quero praticar?

Trate o resultado como um diagnóstico. Pode rever a dose, mudar o formato de embalagem, negociar a compra do ingrediente que mais pesa ou aceitar conscientemente um rácio diferente nesse produto. O que não convém é manter o preço antigo sem saber quanto ele se afasta do cálculo.

Calcule o custo da primeira receita

Calcule o custo das receitas com os preços de compra e as quantidades utilizadas e verifique a margem ao preço de venda que definir.