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Percentagem de custo de matéria-prima: como a ler e quando a atualizar

O que a percentagem de custo de matéria-prima mostra, como calcular a versão teórica e a real, e que rotina seguir para a manter atualizada. Exemplos ilustrativos em EUR.

Por KitchenCost
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Publicado 2/08/2026
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A percentagem de custo de matéria-prima é a fatia do preço de venda que fica presa nos ingredientes. É um rácio, não uma nota: sozinho não diz se um prato é bom ou mau, diz apenas quanto sobra desse prato para pagar tudo o resto.

Todos os valores aqui são exemplos ilustrativos. Este guia não indica valores de referência do setor, porque o número que faz sentido para uma pastelaria de bairro não faz sentido para uma cozinha que só trabalha por encomenda.

Ingredientes, prato terminado e proporções para analisar o rácio de custo

Os dois números que precisa de ter

Existem duas percentagens e servem para coisas diferentes.

Percentagem teórica = custo dos ingredientes da ficha técnica ÷ preço de venda × 100

Percentagem real = custo do consumo do período ÷ vendas do período × 100

Em qualquer das duas, use a mesma base de IVA dos dois lados: custo líquido do IVA dedutível contra vendas líquidas de IVA, ou ambos com imposto. As taxas aplicáveis não são indicadas aqui.

Esta percentagem cobre apenas a matéria-prima. Se o preço tiver sido fixado sobre ingredientes mais embalagem, como no guia de definição de preços do menu, acompanhe também o rácio de custo total:

Rácio de custo total = (custo dos ingredientes + custo da embalagem) ÷ preço de venda × 100

São dois indicadores distintos e servem para coisas distintas. O rácio de custo total é o que se compara com o rácio escolhido na definição do preço, porque abrange o mesmo. A percentagem de matéria-prima isola o género. Com um só, uma subida do preço das caixas ou dos sacos passa despercebida.

Onde o custo do consumo do período se obtém assim:

Consumo = inventário inicial + compras do período - inventário final

O valor teórico é o que deveria acontecer se cada dose saísse conforme a ficha. O valor real é o que aconteceu de facto na cozinha. Para chegar ao custo por dose que alimenta a fórmula teórica, siga o guia da ficha técnica de receitas.

Exemplo ilustrativo de um mês numa cafetaria, com todos os valores sem IVA:

ElementoValor
Inventário inicial1 450 EUR
Compras do período6 900 EUR
Inventário final1 610 EUR
Consumo6 740 EUR
Vendas do período24 100 EUR
Percentagem real27,97 por cento

Se a média ponderada teórica da carta desse 25 por cento, teria quase três pontos de diferença por explicar. Sobre uma faturação de 24 100 EUR, esses pontos valem cerca de 700 EUR nesse mês.

Como ler a diferença entre teórico e real

A distância entre os dois números é a única leitura verdadeiramente acionável. Um desvio persistente costuma ter uma destas origens:

  • doses acima do previsto, sobretudo em produtos servidos à mão como queijo ralado, molhos ou natas,
  • produto perdido por validade, má rotação ou armazenamento incorreto,
  • ofertas, cortesias e refeições de pessoal que saem do armazém e não são registadas,
  • receitas desatualizadas que já não correspondem ao que a cozinha faz,
  • erros de contagem no inventário, que criam um pico num mês e um vale no seguinte.

Antes de mexer em preços, elimine as causas de registo. Um desvio provocado por contagens mal feitas desaparece quando conta melhor e não quando aumenta o preço de venda.

Olhe também para a percentagem prato a prato, e não só para o total. A média da casa esconde o padrão: um prato com percentagem alta pode continuar a fazer sentido se vender muito e deixar bastantes euros de margem por unidade, enquanto um prato com percentagem baixa que quase não sai contribui pouco. A percentagem mede a proporção, a margem em euros mede o que entra na caixa. Decida com os dois à vista.

A rotina de atualização

Uma percentagem calculada uma vez por ano é um número de arquivo. O que a torna útil é a repetição.

Fixe três gatilhos:

  1. Por evento. Chega uma fatura com preço diferente, recalcule as fichas afetadas e veja que pratos mudaram de percentagem. Um ingrediente transversal como manteiga ou azeite mexe em vários pratos ao mesmo tempo.

  2. Por calendário. No mesmo dia de cada ciclo, faça inventário e calcule a percentagem real. Guarde a série e não apenas o último valor, porque a tendência ao longo de seis períodos diz mais do que qualquer leitura isolada.

  3. Por alteração de carta. Sempre que entrar, sair ou for reformulado um prato, refaça a média ponderada teórica da carta. A ponderação faz-se pelo valor de vendas e não pelas quantidades, ou seja:

    Percentagem teórica da carta = Σ(custo por dose × unidades vendidas) ÷ Σ(preço de venda líquido × unidades vendidas) × 100

    Ponderar as percentagens só pelas unidades vendidas dá um número errado quando os preços diferem, porque trata da mesma maneira um café de 1,20 EUR e um prato de 14,00 EUR vendidos o mesmo número de vezes. Somar custos e vendas em euros, e dividir no fim, resolve isso. Pior ainda é a média simples entre pratos, que trata igual o café que vende trezentas vezes e a sobremesa que vende sete.

Registe cada leitura com data, período e valor, num sítio só. O telemóvel serve para a contagem no armazém, mas a série tem de ficar guardada de forma consultável.

Quando a diferença estiver explicada e continuar a não sobrar o que precisa, o passo seguinte é rever o preço a partir do custo total, incluindo embalagem. Esse cálculo está no guia de definição de preços do menu.

Perguntas frequentes

Como se calcula a percentagem de custo de matéria-prima de um prato?

Divide-se o custo dos ingredientes pelo preço de venda e multiplica-se por 100. Um prato com 2,80 EUR de ingredientes vendido a 11,20 EUR tem 25 por cento (exemplo ilustrativo). Use sempre o mesmo critério dos dois lados: se o preço de venda que utiliza for líquido de imposto, o custo também tem de o ser.

Porque é que o valor teórico e o valor real não coincidem?

O valor teórico assume que cada dose sai exatamente como está na ficha técnica. O valor real inclui doses mais generosas do que o previsto, produto deitado fora, quebras de armazenamento, ofertas e erros de registo. A diferença entre os dois é justamente a informação útil, porque aponta onde há perda de produto sem passar pela caixa.

Com que frequência devo recalcular?

Recalcule o valor teórico sempre que mudar um preço de compra, uma receita ou um preço de venda. O valor real acompanha o ciclo de inventário que já fizer, seja semanal ou mensal. O importante é a periodicidade ser fixa, porque uma série irregular não permite distinguir uma variação verdadeira de uma diferença de calendário.

Calcule o custo da primeira receita

Introduza os preços dos ingredientes e obtenha custos, margens e preços de venda na hora.